
Nasci em São Paulo, mas sou do Paraná. Foi lá, numa biblioteca que descobri na adolescência, que tudo começou. Varri aquelas prateleiras de ponta a ponta. Sidney Sheldon, Stephen King, gibis, revistas. A minha professora de português torcia o nariz, mas eu não ligava. Aprendi cedo que o que importa num livro não é o que dizem sobre ele, é o que ele faz com você enquanto lê.
Passei anos procurando onde me encaixava. Pintei telas a óleo, desenhei roupas, fiz artesanato. Comecei projetos, parei, recomecei. Morei oito anos em Portugal, vim para Inglaterra em 2018. Sempre carreguei um desconforto silencioso por não ter feito faculdade, como se a ausência de um diploma invalidasse tudo que eu sabia fazer com as mãos, com os olhos, com a imaginação. Hoje entendo que não era falta de formação. Era procura de propósito.
O livro veio em 2020. Pandemia. Os filhos estavam bem, a casa estava bem, as contas estavam pagas e, pela primeira vez na vida, eu tinha tudo. E me vi completamente perdida.
Com 39 anos e uma necessidade que não conseguia nomear direito, fiquei obcecada em ter mais um filho. Tentei. Não aconteceu. E quanto mais eu tentava, mais a obsessão me consumia.
Foi quando uma jornalista que eu seguia lançou um curso: escreva seu livro em 30 dias. Não acreditei, claro. Mas precisava de algo que ocupasse a minha cabeça, que me fizesse esquecer os calendários e as esperanças. Entrei no curso sem contar a ninguém, era muito caro, e eu ainda não confiava em mim o suficiente para justificar.
Vinte dias para planejar. Trinta dias para escrever. Na primeira semana entrei em pânico. Na segunda, encontrei o ritmo. Ao vigésimo oitavo dia, terminei.
No mesmo dia, voltei a tomar o anticoncepcional.
Tinha dado à luz ao meu primeiro livro.
Desde então não parei de escrever, mas também de estudar. Fiz cursos com Jessica Brody, masterclasses com Dan Brown, James Patterson e Margaret Atwood. Li livros de escrita em série. Fui juntando peças durante anos sem saber exatamente o que estava construindo… até que os pontos se ligaram. E quando aconteceu, foi inevitável: eu precisava compartilhar isso.
Olhei para os escritores que admirava e sentia o peso da distância. Então me virei para o outro lado: para quem estava onde eu estive. E percebi que era ali que eu podia fazer diferença. Nasceu o Ficção em Foco, o meu canal no YouTube, e com ele a missão de criar conteúdo que mude de verdade a trajectória de escritores que estão a subir os mesmos degraus que eu subi.
Seis anos de batalha. Cinco romances publicados de forma independente. E agora, finalmente, uma editora para chamar de minha.
O próximo lançamento será em grande estilo.
O que me move em cada livro, em cada conversa com um escritor, é sempre a mesma pergunta.
E se…?
É a pergunta que abre uma porta que não existia um segundo antes. É de onde venho. É o que faço.
"Toda história que fica presa num rascunho é uma história que o mundo ainda não teve a chance de ser transformado por ela."
Penina Baltrusch